Entrevista com Ezequiel Nascimento, Secretário de Políticas Públicas de Emprego

12/11/2009

Por João Camilo


O foco é a empregabilidade


“...um novo protagonista da história, os administradores profissionais, os gestores sociais, pessoas especialmente treinadas para conciliar os interesses conflitantes entre clientes, fornecedores, acionistas, trabalhadores, ecologistas, ONGs e governo”.


Valorização profissional, empregabilidade e garantia do espaço do administrador são temas em alta na pauta de trabalho do CRA/DF. Com o objetivo de firmar ainda mais esses parâmetros, o Conselho se reuniu no último mês de junho com Ezequiel Nascimento, Secretario de Políticas Públicas de Emprego (SPPE).

Na reunião foram discutidas medidas voltadas ao aumento do campo de trabalho e investimento no administrador. Em entrevista exclusiva ao jornal Fala Administrador, o secretário destacou pontos importantes a respeito da sua secretaria e sobre a importância do profissional em administração.

FA - Quais os avanços na política pública para emprego podem ser em sua opinião?
Ezequiel - Avançamos no aumento das ações de qualificação, elevação do número de benefícios pagos do PIS/Pasep; crescimento nas contratações com registro em carteira, inicia da execução do Projovem Trabalhador: estas são algumas das metas cumpridas, este ano, pela Secretaria de Políticas Públicas de Emprego (SPPE). Um dos objetivos é o aumento das ações de qualificação em integração com as obras vinculadas ao PAC para atender beneficiários do Bolsa-Família, além da qualificação, estão previstas avanços na implantação do sistema seguro-desemprego WEB, melhoria no pagamento do seguro-desemprego do pescador artesanal e integração de ações com o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda.

FA - Quais são as metas da SPPE para esse ano?
Ezequiel - A qualificação profissional tem sido uma das principais prioridades do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O recebimento de demanda por mão-de-obra qualificada em setores e territórios com potencial de geração de emprego e renda aumentou em 2008 e a tendência é que continue aumentando este ano, cuja meta inicial será de cerca de 592 mil qualificados em nossas diversas ações. Será incentivada a articulação de ações de qualificação social e profissional com a educação técnica e a educação de jovens e adultos e aprofundada a parceria com os atores envolvidos nos segmentos da economia com potencial de geração de emprego e renda. A certificação e orientação profissional também serão estimuladas, bem como a integração com o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda.

FA - Qual o maior inimigo do “emprego” no país?
Ezequiel - Não há apenas um, mas digo que nas esferas públicas e privadas hoje o maior vilão é a falta de mão-de-obra qualificada. A qualificação profissional deve ser vista como fator determinante para o futuro daqueles que estão buscando uma colocação no mercado de trabalho, sendo ainda de suma importância aos que buscam manter a posição ocupada, alimentando chances reais de crescimento nas corporações, o que nos leva a crêr que a medida que o tempo passa e o mundo evolui, muito além da experiência, adquirir e renovar conhecimento torna-se inevitável. Hoje em dia, a contratação não depende apenas de currículo, mas de competência. Na esfera pública o servidor tem que ser pró-ativo e empreendedor, não basta passar no concurso. Também são necessários outros atributos, como conhecimentos gerais, informática e domínio de outro idioma.

FA - Como o senhor avalia a repercussão da crise mundial sobre o mercado de empregos no Brasil?
Ezequiel - O Brasil inicialmente não foi atingido em cheio pela crise --os bancos não possuíam papéis ligados às hipotecas de alto risco (“subprime”) que originaram os problemas. Mas vários setores sofreram com a contração de crédito e, em seguida, pela queda das exportações e da demanda interna, que foi o “motor” do crescimento do país nos últimos dois anos. O resultado é o avanço do desemprego e a expectativa de desaceleração no crescimento econômico do país, embora espera-se que fique melhor do que o da maioria dos países desenvolvidos e emergentes. Diversas empresas iniciaram no último bimestre do ano uma onda de férias coletivas e demissões. O mês de dezembro deixou isso claro: segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o mês apresentou redução de 654.946 postos de trabalho --o maior volume para o mês desde 1999, o início da série histórica do dado divulgado pelo Ministério do Trabalho. O Brasil está enfrentando a crise de forma positiva, recuperando e gerando novos postos de trabalho, haja vista os últimos dados do CAGED com resultados positivos de geração líquida de empregos desde fevereiro.

FA - Com relação as medidas para diminuição do desemprego, a qualificação ainda é uma preocupação do MTE?
Ezequiel - Sim, inclusive o MTE tem implementado o Plano Nacional de Qualificação (PNQ), executado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com quatro ações no sentido de, segundo a Resolução que o normatiza, estabelecer uma articulação entre o Trabalho, a Educação e o Desenvolvimento, considerando a qualificação social e profissional um direito do trabalhador e instrumento indispensável à sua inclusão e aumento de sua permanência no mundo do trabalho.

FA - Existem empresas com ramos de atuação iguais, mesmo porte e faturamento que se desfizeram muitos postos de trabalho, em contra partida, outras até aumentaram os números na área de recursos humanos. Essa diferença de postura e resultado pode ser associada a uma administração profissional?
Ezequiel - Posso dizer que uma administração profissional, aprofundada nas questões mais especifica de cada empresa, de cada setor é fundamental para seu sucesso. Sendo assim, dinheiro, recursos naturais, tempo, recursos humanos, mão de obra, todos são recursos limitados. Uma administração profissional nada mais é que planejar e organizar o melhor uso destes recursos para maximizar os lucros e minimizar o impacto social e ambiental. O foco atual da administração profissional é a inovação, considerando ser a mudança constante a principal marca do mundo globalizado. Gerir uma empresa hoje é mais do que tomar decisões com base em dados confiáveis e experiência.

FA - Qual o papel do profissional em administração nesse processo de geração de empregos e crescimento do país?
Ezequiel - O profissional em administração tem o papel preponderante desde os tempos longínquos quando uma parcela dos nossos dirigentes ainda acreditava que o mundo era controlado por “empresários”, pelos “donos do poder”, por uma “classe dominante” preocupada exclusivamente em maximizar lucros e próprios interesses. Ao longo do século XX, os empresários do mundo inteiro foram sendo lentamente substituídos por um grupo de revolucionários que, sem derramamento de sangue, tomaram o poder das empresas. Refiro-me a um novo protagonista da história, os administradores profissionais, os gestores sociais, pessoas especialmente treinadas para conciliar os interesses conflitantes entre clientes, fornecedores, acionistas, trabalhadores, ecologistas, ONGs e governo. O acionista majoritário, o famoso “empresário”, deixou de ser o todo-poderoso e de administrar sua empresa em causa própria, à custa dos demais. Essas empresas, listadas em bolsa, não têm dono, no sentido de que não são administradas pelos “proprietários”, mas por administradores profissionais. Esses revolucionários humanizaram as empresas, tornando-as socialmente responsáveis, valorizaram seus stakeholders fornecedores, clientes, trabalhadores e muito fizeram e fazem para o crescimento do nosso país.

FA - Existe algum projeto da SPPE para a categoria de administradores?
Ezequiel - A SPPE busca garantir que as atividades sejam desempenhadas dentro das empresas por profissionais que tenham formação específica. Isso é bom para o Administrador, por que gera empregabilidade, bom para as instituições, que terão maior demanda nos cursos e bom para o empresário, que tem a disposição capital intelectual qualificado para o exercício das atividades. Sabemos que a Lei 4769, de 1965, criou a profissão de Administrador e que o objetivo maior do Conselho é fiscalizar o exercício da profissão, e nós buscaremos mecanismos para conscientizar os empresários e administradores que existem áreas privativas da profissão como a gestão de materiais, de produção, financeira, recursos humanos, comércio exterior, administração hospitalar, logística, entre outras, que são atividades inerentes do Administrador.


 

Categoria: Destaque

Fonte: Jornal Fala Administrador - Informativo do Conselho Regional de Administração do Distrito Federal

 

Cadastre e receber nossa newsletter

© AVEPEMA 2009 - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por Seucliente.com.br