18/06/2010
Consideramos a sustentabilidade ambiental um dos principais marcos do século XXI. A palavra Sustentabilidade deriva do verbo sustentar, presente nos meios profissional, social e familiar.
Segundo o Dicionário Aurélio, sustentar é: “1. Segurar para que não caia, suster, suportar. (...) 8. Impedir a ruína ou queda de. (...) 11. Defender com argumentos ou razões (...)”. Transpondo a definição denotativa, entendemos que a sustentabilidade ambiental revela-se intrinsecamente relacionada a quesitos de ordem financeira e social, e afeta diretamente investimentos, projetos, e, principalmente, atividades que demandam matéria-prima florestal. Ora, A sustentabilidade ambiental é vetor regente de alternativas e, por via de conseqüência, um fator determinante nos estudos desenvolvidos pelas empresas de consultoria.
Reconhece-se que todo empreendimento utilizador de recursos naturais, em maior ou menor grau, é capaz de ocasionar impactos ambientais, independente do ramo em que operam: silvicultura, mineração, química, metalurgia, base florestal, movelaria, alimentos e bebidas, celulose e papel etc. A partir disso, a utilização de recursos naturais como matéria-prima para os variados processos produtivos, é imprescindível a adoção de novos paradigmas.
A missão de um consultor ambiental é tornar viável a concepção do empreendimento, a partir de premissas de ordem financeira aliadas às questões ambientais e sociais, desde a fase de planejamento do projeto até sua operação, atendendo as demandas dos stakeholders. Essas demandas, por sua vez, foram consolidadas em marcos históricos como Conferência de Estocolmo, Cúpula da Terra, Conferência de Johanesburgo (Rio+10), entre outras, e por isso, não podem ser desprezadas. A sua importância não se restringe ao caráter histórico, mas está além, e atualmente faz parte de um novo modo de vida que se instaura aos poucos na sociedade. Um recente exemplo é a exigência do mercado consumidor por atividades e produtos socialmente justos, ambientalmente sustentáveis e culturalmente aceitos; nota-se que a sociedade atualmente exige do empresário sua parcela de responsabilidade socioambiental.
O Brasil, com seu expressivo parque fabril, está fazendo sua lição de casa. Merecem destaque especial alguns setores, que ao longo das últimas década dá exemplos de sustentabilidade ambiental.
Paralelamente à necessidade de elaboração de estudos ambientais (EIA/RIMA, RAP e outras figuras) para empreendimentos causadores de significativo impacto ambiental, há exigências internacionais muitas vezes representadas por barreiras técnicas ambientais, que mobilizam a indústria brasileira para atendimento de rígidos padrões e complexos sistemas de certificação ambiental.
O setor produtivo nacional vislumbra o futuro cenário concorrencial, onde a competitividade de mercado extrapola limites econômicos e adentra a dinâmica cultural, cuja compreensão passa a ser essencial à sobrevivência de qualquer empreendimento.
O papel do ambientalista deve ultrapassar a fronteira do planejamento, e trabalhar para que a operação dos empreendimentos ocorra de modo eficaz, sob a égide da sustentabilidade. A sustentabilidade está além da rotina da mera gestão ambiental, de controles ambientais e atitudes reativas pelo empreendedor.
A sustentabilidade inaugura um novo modo de compreensão do planeta. Sua relevância é reconhecida inclusive no planejamento de empresas para embasar critérios de requerimento a financiamentos e avaliação de créditos por entidades financeiras. Recentes exemplos são análises de EIA/RIMA por agentes financiadores como BNDES, Banco Mundial, etc.
Reflexo disso é que os setores produtivos procuram cada vez mais adequar toda sua cadeia produtiva à sustentabilidade, exigindo respaldo de critérios técnicos e ambientais. Em diferentes projetos, é possível identificar alguns hot spots que vêm se tornando tendência para novos empreendimentos: atenção a diferentes espécies de Zoneamento Ambiental e Econômico-Ecológico; manejo florestal sustentável e certificado; medidas de restauração e preservação de Áreas de Preservação Permanente e averbação de Reservas Legais; emprego de melhores tecnologias disponíveis; avaliação do impacto paisagístico etc. Igualmente, são objeto de preocupação: emissões atmosféricas e qualidade do ar, com foco na saúde humana; geração de créditos de carbono; alternativas de gestão de emissões, negociações em mercados voluntários de emissões; emprego de novas fontes de energias com menores impactos socioambientais.
Portanto, ao se deparar com a concepção de novo empreendimento, ou expansão de um já existente, há necessidade de superação de parâmetros de mercado. A sustentabilidade está além da gestão ambiental; agrega valor ao projeto, e se traduz em importantes indicadores como Dow Jones Sustainability Index, Índice de Sustentabilidade BMF&BOVESPA, que geram valorização das ações de empresas comprometidas com a sustentabilidade. Considerar a variável ambiental é imprescindível para evitar atrasos de cronograma, reduzir custos socioambientais e juros financeiros. Agir sustentável é “impedir a ruína e evitar a queda”; é prover segurança ao empreendimento.
Categoria: Destaque
Fonte: Pedro Piza - colaborador AVEPEMA